Medo

O que é o medo?

Madrugada do dia 31 de outubro, de súbito ela desperta, volta-se para o relógio: 3:03 am. De repente, um grunhido agudo seguido de um grande estrondo e o som de coisas caindo. Sua respitação acelera, ela consegue sentir seu coração palpitando na garganta. Com as mãos suando frio alcança seu celular e se põe à postos. Milhares de pensamentos invadem sua mente rapidamente, ela lembra-se do documentário sobre casas mal-assombradas visto no dia anterior, do noticiário sobre invasões a domicílios e de que está sozinha. O que fazer? O silêncio toma a casa, não há mais nenhum ruído além do da sua própria respiração. Unindo toda a sua coragem, ela caminha cautelosamente em direção a sala de estar. Com os olhos arregalados, encontra a fonte do estardalhaço: Mingau, seu gatinho arteiro havia derrubado a prateleira com fotografias da família. Ela o pega no colo, aliviada. “Feliz dia das Bruxas para você também, Mingau!” – rindo sozinha enquanto volta para o quarto.

Emoções, como o medo, são um conjunto de respostas do corpo automáticas, transitórias, inconscientes, que ocorrem quando detectamos estímulos importantes. Como no conto acima, tudo começa com um estímulo importante (como um som alto incomum). De forma imediata, a protagonista se põe em alerta, ao mesmo tempo que evidencia diversas reações inconscientes do seu corpo: nos seus batimentos cardíacos, na respiração, sudorese e até expressão facial. Ela toma uma decisão de confrontar a suposta ameaça e, ao verificar que não há perigo real, ela relaxa. Pronto, o medo acabou! Veja a figura abaixo para acompanhar a explicação de como funciona o medo.

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O estímulo importante é percebido pelos nossos sentidos e as informações são enviadas para o tálamo (1) no nosso cérebro. Do tálamo, as informações são enviadas para a amígdala (2). A amígadala, essa pequenina região do cérebro que tem o mesmo nome do órgão de defesa situado na nossa garganta, tem um papel central nessa história! Ela avalia a carga emocional do estímulo e se há um perigo presente. Se houver, ela orquestra uma variada gama de respostas que, como no conto, abrangem todo o nosso corpo:

 

 

– Aumento da frequência de batimentos do coração, aumento da pressão arterial, aumento do suor, aumento da capacidade respiratória, aumento da concentração de glicose no sangue, dilatação das pupilas, diminuição da digestão… Essas respostas visam nos deixar preparados para lutar ou fugir, por exemplo, canalizando nossas energias para onde é mais importante no momento – cérebro e músculos. Elas advém da liberação de hormônios do estresse (como cortisol e adrenalina) e da ativação do sistêma nervoso autônomo simpático.

– Mudanças nas expressões faciais, comportamentos de lutar, fugir, esperar, reagir ao estímulo de perigo! Essas ações são graças a mobilização da musculatura. Já percebeu que as pessoas parecem mais fortes fisicamente em situações de estresse? Isso é justamente por conta desse conjunto de alterações.

– Melhora na percepção, atenção, memória e aumento da capacidade de tomada de decisão – nos deixando mais aptos a lidar com a situação de perigo e provocando a parte consciente das emoções, ou seja, os sentimentos. Todas essas respostas acontecendo ao mesmo tempo no nosso corpo, os hormônios liberados e a própria amígdala no cérebro sinalizam a diversos circuitos de neurotransmissores (dopamina, noradrenalina, serotonina e acetilcolina) e regiões cerebrais do córtex (3) e hipocampo (4). Essa ativação de diversas regiões cerebrais que nos leva a ter sentimentos complexos, como culpa, ficar sem graça ou ter empatia.

O medo pode ser encontrado mesmo em organismos simples, sendo muito conservado entre as diferentes espécies. Todos precisam reagir de forma automática a mudanças do ambiente, principalmente de perigo, para sobreviver e prosperar. As emoções nos fazer ter respostas comportamentais apropriadas aos desafios e oportunidades do ambiente, por isso são transitórias e duram tanto quanto o estímulo. A maior parte do processamento cerebral das emoções é inconsciente, como vimos, mas leva aos sentimentos conscientes. Os sentimentos facilitam a aprendizagem de situações que nos põe em perigo ou em vantagem. Ao recrutar nossas habilidades cognitivas, eles aumentam o significado das emoções e orientam nosso imaginário para planejar ações futuras. Tanto as emoções quanto os sentimentos tem um papel importante para vivermos em sociedade, eles baseam nossos julgamentos morais e até nossas decisões financeiras.

Pronto, agora você está preparado para curtir o Halloween sabendo o que acontece com seu corpo quando vê aquela fantasia horripilante!

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