A neurociência da meditação

Existem diversas técnicas para se alcançar a meditação: yoga, mindfullness, meditação por mantra, tai chi. O mindfulness vem sendo extensivamente caracterizado nas últimas duas décadas pela ciência. Ele se utiliza principalmente de três pilares: controle de atenção, regulação da emoção e autoconsciência. Apesar disto, o conhecimento cientifico em cima dos benefícios para o cérebro humano ainda são pouco conhecidos.

O uso de modelos animais para seu estudo não seria possível e o estudo em pacientes humanos apresenta uma série de dificuldades. Por exemplo, cientistas conseguem visualizar regiões do cérebro ativadas durante a meditação com o uso de aparelhos de ressonância magnética, porém diferentes regiões são ativadas em praticantes iniciantes e experientes, sendo difícil traduzir isso em benefícios para o cérebro da técnica meditativa. Outra dificuldade é em encontrar um grupo controle apropriado, o método cientifico necessita de uma comparação entre o grupo de meditação e um grupo que não medite, mas os mesmos precisam ter variáveis semelhantes, como semelhantes níveis de consumo de álcool, de tabaco, semelhante gordura corporal, realização de exercícios físicos; para que se possa tirar conclusões em cima do estudos e atribuí-las a meditação.

Contornando esses problemas, encontrou-se uma série de alterações cerebrais em praticantes de mindfulness. Entre as regiões encontradas estão a ativação do córtex singular anterior e do estriado, regiões com papel no controle da atenção; a ativação do córtex pré-frontal, da amígdala cerebral e outros componentes do sistema límbico, que possuem um papel no controle da emoção; e ativação no córtex cingular posterior, na ínsula e no córtex pré-frontal medial, regiões atribuídas a auto-consciência. Os três pilares do mindfulness.

imagem cerebro

Praticantes costumam mostrar benefícios da pratica para a redução do estresse, da regulação emocional e um aumento no bem-estar. A redução no estresse ainda não possui uma causa relacionada, mas a investigação em um outro tipo de meditação pode ser útil na busca de uma explicação. Uma pesquisa publicada no jornal Frontiers of Human Neuroscience em 2015 mostrou que praticantes de yoga são capazes de ativar o sistema nervoso parassimpático, reduzindo a resposta do sistema nervoso simpático. Esse sistema controla nossa resposta a estresse através da liberação de cortisol; se a resposta do sistema nervoso simpático está reduzida em praticantes de yoga, haveria uma redução na liberação de cortisol e uma diminuída resposta ao estresse.

Os efeitos na regulação emocional se dariam diretamente na amígdala, região ativada durante a meditação. Praticantes de longo prazo apresentam uma reduzida ativação dessa região a estímulos emotivos, diminuindo a resposta emotiva. Para entender como isso funciona vamos pensar em uma situação de medo (que é bem particular para diferentes indivíduos), por exemplo, ao avistar uma barata a amígdala cerebral é ativada produzindo a sensação de medo. O que a ciência descobriu é que praticantes de mindfulness ativam menos essa região (amígdala), levando a uma menor resposta emocional (medo, por exemplo) a um mesmo estímulo (barata, por exemplo), ou seja, um maior controle emocional.

Pesquisas no âmbito dos benefícios do mindfulness também demonstram sua capacidade terapêutica. Pacientes com declínio cognitivo costumam apresentar atrofia no hipocampo, região com um papel chave na memória; atrofia que não acontece nos pacientes praticantes de mindfulness. Em pacientes que sofriam da doença de Parkinson e meditavam, havia um aumento de densidade na zona cinzenta da região do putamen. Essa região está associada ao controle motor e sua degeneração acompanha pacientes com doença de Parkinson. Além disso o putamen costuma reduzir seu volume durante o processo de envelhecimento, o que está atribuído a problemas durante a terceira idade. Praticantes de meditação não apresentam essa redução característica.

As pessoas também costumam falar sobre benefícios na camada afetiva, cognitiva e social de suas vidas. Aspectos que a ciência ainda precisa estudar e explicar, afinal sempre há muito o que se estudar para a ciência.

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Referências para os que gostam de ciência:

Yi‑Yuan Tang1*, Britta K. Hölzel* and Michael I. Posner. The neuroscience of mindfulness meditation Nature Reviews Neuroscience 2015

Chantal Villemure, Marta Čeko, Valerie A. Cotton and M. Catherine Bushnell. Neuroprotective effects of yoga practice: age-, experience-, and frequency-dependent plasticity. Frontiers of Human Neuroscience 2015

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