O que você precisa saber sobre coronavírus (COVID-19) em 6 perguntas e respostas

1. O que são coronavírus?

Os vírus são organizados da mesma forma que os animais, em espécies, ordem, família, gênero e etc. Coronavírus (CoV) é o nome de uma família de vírus que causam doenças  respiratórias parecidas com a gripe ou até mais severas. Falar em “coronavírus” é análogo a falar em “felinos”, inclui uma porção de espécies com características próprias. Apesar de conhecidos desde 1937, o primeiro coronavírus recebeu esse nome em 1965, em decorrência de sua imagem microscópica que se assemelha a uma coroa. A família coronavírus inclui diversos membros já conhecidos, como o vírus da Síndrome Aguda Respiratória Severa (SARS-CoV), responsável pela epidemia em 2003 que atingiu principalmente países asiáticos. O novo coronavírus responsável pela pandemia atual possui semelhanças genéticas ao SARS-CoV de 2003, por isso é chamado de SARS-CoV2. COVID-19 é o nome da doença que o vírus SARS-CoV2 causa. Além disso, por ser um novo membro da família que não era previamente identificado em humanos, ele foi inicialmente designado como nCoV (2019-nCoV). O nome SARS-CoV2 foi escolhido porque o vírus é semelhante geneticamente ao SARS-CoV da epidemia de 2013.

Coronavírus são zoonóticos, o que significa que eles são transmitidos entre animais e, eventualmente, entre pessoas. Muitos coronavírus existentes circulam entre animais e ainda não infectaram humanos. Vale ressaltar que isso não justifica eutanaziar ou maltratar animais domésticos ou silvestres. Na atual pandemia, a transmissão ocorre de pessoa para pessoa, não sendo necessária a passagem pelos animais. Os animais domésticos podem ser infectados, mas ainda não se tem evidências de eles possam transmitir de volta o vírus para humanos. Além disso, os animais domésticos tem importante papel na sociedade, eles sabidamente tem efeitos benéficos na nossa saúde mental. Muitos pacientes se beneficiam da companhia dos animais. A recomendação é de que se mantenha hábitos de higiene, mantendo os locais de circulação dos animais e eles próprios limpos, evitar deixar o animal lamber o rosto ou dormir no travesseiro, por exemplo. Maus-tratos aos animais é crime no Brasil.

2. O que é uma pandemia?

É uma epidemia de proporções mundiais. O diretor geral da Organização Mundial de Saúde (OMS) caracterizou a COVID-19 como pandemia ontem. Em seu discurso ele ressalta que o número de casos da doença dora da China cresceu 13 vezes nas últimas duas semanas e o número de países afetados triplicou. As estimativas são de que os números de infectados, já enormes, aumente ainda mais nos próximos dias. A OMS ainda ressalta sua preocupação tanto com os níveis alarmantes da disseminação e sua severidade, quanto com os níveis alarmantes de “inércia”. O diretor ainda afirma que pandemia não é uma palavra a ser usada de forma descuidada, pois pode causar medo não justificado ou uma postura de aceitação que leve a mais sofrimento e mortes. Por isso, a declaração da situação como um pandemia não muda a forma que a OMS avalia a ameça por esse vírus, não muda o que a OMS está fazendo e não deve mudar o que os países devem fazer. Ele ainda cita que essa é a primeira pandemia por coronavírus e também a primeira que pode ser controlada. Mas controlada como?

O diretor urge os países para tomarem ações agressivas pois todos eles podem ainda mudar o curso dessa pandemia. Ele classifica essas ações em 4 áreas chave:

1a. Se preparar e estar pronto.

2a. Detectar, proteger e tratar.

3a. Reduzir a transmissão.

4a. Inovar e aprender.

Essas ações podem previnir que casos isolados se tornem transmissão ativa em uma comunidade. Alguns países tem sido bem sucedidos no controle utilizando essas abordagens.

Por fim, ele ressalta que a crise não é só de saúde pública, ela tem impactos sociais e econômicos e afirma o compromisso da OMS de tomar ações para mitigar todos esses impactos.

3. Quais são os sintomas da infecção da COVID-19?

Sinais comuns da infecção incluem sintomas respiratórios, febre (acima de 37,8C), tosse, encurtamento da respiração ou mesmo dificuldade em respitar. A vasta maioria dos pacientes (cerca de 80%) infectados experimenta apenas sintomas leves, semelhantes a uma gripe. Em casos mais severos, a infecção pode causar pneumonia, síndrome respiratória aguda severa, falência renal ou mesmo a morte. Os sintomas podem aparecer entre 2 e 14 dias após o contágio. Idosos e pessoas com histórico de problemas respiratórios estão sob maior risco de desenvolvimento de sintomas graves e morte. Essas pessoas devem ter ainda mais cuidado para previnir que sejam contaminados.

4. Como se previnir?

O SARS-CoV2 é transmitido pelo contato com gotículas liberadas quando um paciente contaminado espirra ou tosse. Essas gotículas se depositam nas mãos e em superfícies, podendo permacer com o vírus ativo por dias. Por isso, as recomendações de prevenção incluem lavar as mãos, cobrir a boca e nariz quando tossir e espirrar. Limpar superfícies com frequência, higienizar as mãos e não levá-las ao rosto após encostar em superfícies em locais públicos, como corrimãos, assentos e etc. Deve-se evitar contato próximo (menos de 1 metro) com pessoas apresentando sintomas de doenças respiratórias, como tossindo e espirrando. Não compartilhar objetos pessoais. Durante a pandemia, é recomendável evitar aglomerações, adiar viagens passíveis de serem adiadas e permanecer em casa, sempre que possível, mantendo os ambientes arejados.

O álcool 70% serve para higienização das mãos e superfícies, quando outras formas (água e sabão) não estão disponíveis. O álcool líquido comum, vendido em supermercados, tem apenas 46 partes de álcool, e não 70 como o recomendado. Dessa forma, ele é insuficiente para higienização das mãos e superfícies. O álcool em gel vendido para higienização das mãos possuem, além do álcool, agentes hidratantes, importantes para evitar o ressecamento da pele que o ácool provoca. Ele é o mais recomendado para o contato com a pele. Sempre confira no rótulo se o gel ou líquido tem 70 partes ou 70% de álcool.

Não caia em fake news! Mantenha-se informado pelo aplicativo Coronavírus-SUS, pelos sites do Ministério da Saúde e da Organização Mundial de Saúde (OMS). Aqui o Ministério da Saúde desmente alguns boatos sendo espalhados. As informações podem mudar rapidamente, então sempre procure a mais recente nesses sites e aplicativo. Mesmo esse texto pode ficar desatualizado poucas horas após a publicação, então confirme o que está aqui por essas instituições. Caso receba uma mensagem, mesmo que de uma pessoa em que confia, verifique as informações antes de repassar. Verifique sempre! As fake news são um perigo para saúde pública. Informações errôneas podem provocar pânico indevido e fazer com que as pessoas não se protejam da forma adequada, ampliando a transmissão do vírus. Não contribua para esse mal.

Uso de máscaras: se você estiver saudável, você só precisa usar máscara se você estiver auxiliando uma pessoa com suspeita de COVID-19. Use a máscara se você estiver espirrando ou tossindo. As máscaras só são efetivas se o seu uso é combinado a lavagem de mãos frequente com água e sabão ou ácool 70%. Se você for usar a máscara, precisa se informar como usá-la e depois dispensá-la adequadamente.

5. O que fazer caso apresente sintomas relacionados a COVID-19?

No Brasil, ainda não temos a transmissão de COVID-19 estabelecida, os casos de contaminação são importados ou de pessoas que tiveram contato próximo com alguém contaminado. Em ambos os casos, a fonte da contaminação é rastreável. Se você teve contato próximo com alguém com suspeita de contaminação com COVID-19 ou viajou a um país em que há transmissão local, é fundamental procurar ajuda médica imediata quando os primeiros sintomas surgirem para confirmar diagnóstico e iniciar o tratamento. Veja aqui a unidade de saúde de referência para tratamento da COVID-19 mais próxima a sua casa. O diagnóstico é realizado com a coleta de materiais respiratórios (aspiração de vias aéreas ou indução de escarro). Para confirmar a doença é necessário realizar exames que detectem o material genético do vírus (RNA). As amostras são encaminhadas para laboratórios de referência capazes de realizar esse tipo de diagnóstico.

Ainda não existe um tratamento específico capaz de frear a COVID-19. Por isso, o tratamento é dos sintomas, utilizando analgésicos, antitérmicos e etc. É recomendado que se beba bastante água. Na maioria dos casos os sintomas são leves e não requerem internação; a quarentena e tratamento são realizados em casa. Mesmo após a alta, durante os primeiros 7 dias do início do quadro clínico, pode haver piora tardia e o paciente é orientado a retornar para atenção médica.

Caso haja estabelecimento da transmissão aqui no Brasil ou em determinadas regiões do país, é possível que essas recomendações mudem. À partir do momento que a epidemia atinja aqui uma fase em que não seja mais possível rastrear a fonte de contaminação, provavelmente as autoridades recomendarão que se encaminhem aos centros médicos apenas os pacientes que apresentarem sintomas mais graves, como insuficiência respiratória. Precisamos ficar sempre atentos às recomendações mais recentes pelos sites do Ministério da Saúde, da OMS e pelo aplicativo Coronavírus-SUS.

6. Sintomas neurológicos?

Bem, não poderíamos deixar de abordar como essa infecção pode afetar o cérebro. A realidade é que essa pergunta ainda não tem resposta, a pesquisa está avançando conforme a epidemia, estamos aprendendo com ela. Outros membros da família coronavírus podem invadir o sistema nervoso central (SNC) e induzir doença neurológica durante a infecção. Alguns pacientes com COVID-19 apresentam sinais neurológicos, como dores de cabeça, náusea e vômito. Além disso, o vírus SARS-CoV (vírus responsável pela epidemia de 2003 e semelhante ao atual) foi encontrado no cérebro de pacientes e de animais experimentais infectados. Já foi proposto que o SARS-CoV2, responsável pela doença COVID-19, também tenha essa capacidade de infectar o SNC. Essa infecção poderia ser, ao menos parcialmente, responsável pelos problemas agudos respiratórios dos pacientes.

 

Fontes:

Organização Mundial de Saúde

https://www.who.int/health-topics/coronavirus

https://www.who.int/emergencies/diseases/novel-coronavirus-2019/technical-guidance/naming-the-coronavirus-disease-(covid-2019)-and-the-virus-that-causes-it

https://www.who.int/emergencies/diseases/novel-coronavirus-2019/advice-for-public/when-and-how-to-use-masks

https://www.who.int/news-room/q-a-detail/q-a-coronaviruses

Ministério da Saúde

https://www.saude.gov.br/saude-de-a-z/coronavirus

https://www.saude.gov.br/saude-de-a-z/coronavirus/sobre-a-doenca#transmissao

Efeitos neurológicos da infecção pelo vírus da COVID-19

Li, Y., Bai, W., & Hashikawa, T. The Neuroinvasive Potential of SARS-CoV2 May Be at Least Partially Responsible for the Respiratory Failure of COVID-19 Patients. Review. J Med Virol, 2020. DOI: 10.1002/jmv.25728

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