Qual a formação de um cientista? Entenda e participe de uma defesa de tese sobre os efeitos do vírus da Zika no cérebro adulto

Você sabe qual formação é necessária para se tornar um cientista?

Cientistas precisam percorrer uma longa trajetória acadêmica, independentemente se vão exercer essa função em ambiente universitário ou instituições de pesquisa não-acadêmicas (públicas ou privadas).

Primeiramente, precisam concluir uma graduação. Ao final dessa graduação, há a confecção da monografia, (projeto ou trabalho de conclusão de curso). Com a aprovação, obtém-se o um título de bacharel ou equivalente. Após a graduação, aquele que deseja se tornar um cientista precisa cursar uma pós-graduação do tipo “stricto sensu”, ou seja, cursos de mestrado e doutorado. A área de concentração desses cursos pode ser das mais variadas, humanas, exatas, biológicas ou médicas. No Brasil, a maioria dos alunos opta por concluir o mestrado antes do doutorado, mas isso não é uma obrigação. Os programas de pós-graduação podem receber alunos para cursar o doutorado que ainda não tenham o título de mestre. 

Durante o mestrado ou doutorado, o aluno precisa cumprir uma série de requisitos, como completar um número mínimo de créditos em disciplinas e, talvez a parte mais importante, conduzir um projeto de pesquisa. O curso do mestrado geralmente dura 2 anos e, do doutorado, 4 anos. Ao final, o aluno produz uma monografia chamada de dissertação (no caso do mestrado) ou tese, (para conclusão do doutorado). Nessa monografia o aluno discorre sobre o tema de sua pesquisa e apresenta o que descobriu (resultados) durante o período de estudos. Esse documento é então submetido à uma banca examinadora composta por pesquisadores (já doutores) especialistas nesse campo de pesquisa. Por fim, chega o dia de defender a dissertação/tese. Nessa ocasião, o aluno apresenta os resultados de sua pesquisa e depois é arguido pela banca examinadora. A banca sugere modificações no documento visando seu aprimoramento e testa as competências técnicas do candidato fazendo perguntas pertinentes. O aluno precisa “defender” sua tese/dissertação através de sua argumentação com base em seus achados e conhecimentos. É um ritual demorado e que requer muito do candidato, tanto tecnicamente quanto emocionalmente. Contudo, se aprovado pela banca, o candidato fará jus ao título de mestre ou doutor na área do conhecimento no qual se especializou. Aí é só partir para comemoração!

É importante ressaltar que os estudantes de pós-graduação (mestrado e doutorado) conduzem projetos de pesquisa como requisito de seus cursos. No Brasil essa é a principal força de trabalho na pesquisa científica. Por isso, agências de fomento federais e estaduais fornecem bolsas de estudo para os estudantes com projetos de pesquisa mais relevantes, como um salário. Os estudantes em troca devem se dedicar exclusivamente à pesquisa científica, (exceções são concedidas às atividades remuneradas relacionadas a área de pesquisa ou docência na mesma instituição de ensino superior). Contudo, como esses pesquisadores não são regulamentados enquanto trabalhadores, não possuem a maioria dos benefícios trabalhistas, como férias remuneradas ou 13º salário.

Mesmo após essa extensa jornada acadêmica, os cientistas continuam estudando. Podem participar de programas de pós-doutorado, onde trabalham como pesquisadores em instituições científicas por tempo determinado para conclusão de um projeto. O pós-doutorado não é um curso de pós-graduação, não há defesa de uma monografia ao seu fim e ele não confere título. Além disso, independente do estágio de suas carreiras, os cientistas constantemente se atualizam na literatura de suas áreas ao lerem os artigos (“papers”) publicados por outros pesquisadores em revistas especializadas. Estudar é a base do trabalho do cientista!

A fundadora do NeuroPod irá defender sua tese de doutorado em neurociências

Agora que você já sabe como funciona, podemos ir às boas novas! Nossa fundadora, Fernanda Barros-Aragão, irá defender sua tese essa quinta-feira, dia 09 de abril, às 14 horas. Durante seu doutorado, ela estudou os efeitos da infecção pelo vírus da Zika no cérebro adulto. Normalmente, a defesa é feita de forma presencial, porém, devido a epidemia de COVID-19 e à necessidade de isolamento social, a defesa será remota (on-line).

Você também pode participar disso! Caso tenha curiosidade de saber como funciona uma defesa ou tenha interesse pelo tema, basta acessar a página do facebook do NeuroPod no horário da defesa. Faremos a transmissão ao vivo!

A Fernanda irá fazer uma apresentação com cerca de 30-40 minutos e depois será arguida por 3 pesquisadores da UFRJ (cerca de 30 min cada): Profa. Luciana Arruda, Prof. Marcelo Bozza e Profa. Patrícia Garcez. A defesa será gravada. Fernanda é aluna do Programa de Pós-Graduação em Ciências Morfológicas (PCM) do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). No seu doutorado, ela foi orientada pelos professores Claudia P. Figueiredo e Sérgio T. Ferreira. Caso seja aprovada, a Fernanda receberá o título de Doutora em Ciências Morfológicas ênfase em Neurociências. 

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